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domingo, 13 de outubro de 2013

O silêncio das Mulheres que apanham - a história de apenas mais uma Marcela

Hoje decidi por recontar a história de Marcela (nome ficticio, é claro). Recebi o e-mail contando essa história já há algum tempo, mas ainda não havia criado coragem suficiente para recontá-la. Na verdade, a história de Marcela é uma triste história cotidiana, que ocorre aos milhões todos os dias, a todo o momento, de um milhão de maneiras diversas e em absolutamente todas as classes sociais. A história nunca é a mesma, mas os personagens sim: uma mulher e um imundo ser desprezível e inominável que nos faz vergonha à classe dos seres vivos chamados de humanos. E o enredo? Violência doméstica. Agressão. Humilhação. Covardia em seu nível mais desonesto. Tão visível e tão calado.

Marcela conta que é uma mulher "comum" no quesito beleza. Possuí instrução, nível superior, separada possuí filhos de seu primeiro casamento e é daquelas que se rotula hoje em dia como "mulher independente".

Logo após a separação a mulher decidida e independente deixou-se levar por uma absolutamente normal e aceitável fragilidade emocional. A separação, de um casamento de quase 15 anos fora difícil, ainda que ela soubesse ser inevitável. E qual separação não é? Ninguém se une e forma uma família pensando ou preparando-se para um dia desfazer-se dessa união seja lá pelo motivo que for (assunto para outro texto, certo?!). Enfim, envolveu-se. Deixou-se levar pela suavidade feminina que independência nenhuma supre e acreditou que ainda teria chance de viver um conto de fadas. Ele a fez acreditar nisso. E ela acreditou. Ele foi para a casa dela. Na verdade ela se confunde ao informar como tudo começou, diz apenas que foi tudo tão rápido e pensando com aquela razão própria de quem não pensa quando apenas está com pressa de se dar uma segunda chance de ser feliz., não sabe contar como tudo começou enfim .... realmente uma loucura adolescente passada hora, só pode ser, é o que ela deduz por mais de uma vez quando conta sua história.

Moravam em cidades diferentes. Eram bem diferentes mas lhe parecia que era exatamente aquilo que dava leveza aos dois. Ela não precisava estender os assuntos de sua profissão que lhe eram tão pesados ao final do dia. Ele lhe apresentava emoções diferentes que jamais ao que hoje ela chama de "sã" consciência ela faria. Ele estava saindo também de um relacionamento que lhe havia machucado muito. Estava superando, era o que contava, é claro, já que mais tarde Marcela descobriu que nada naquela pessoa era verdade. Deixou seu emprego "por uns tempos" porque isso lhe distanciaria muito de Marcela, já que viajava muito e queria dar atenção a Ela naquele momento, ficar o mais juntos possíveis e estreitar os laços de amor e cumplicidade. Que mulher não se sentiria a melhor e mais amada do mundo com uma atitude dessas?

E assim foi: Marcela sendo encantada e deixando-se cegar. Mas, na vida, a verdade não consegue se esconder muito tempo por trás das mentiras e Marcela começou a perceber que alguma coisa estava errada, muitas coisas estavam erradas. E o seu encantador ordinário também percebeu que Marcela começava a desvendar o veneno de seus enganos. Foi quando veio a primeira agressão daquele que precisava mostrar que sua força e sua violência era suficiente para fazê-la silenciar.

É chocante ler o relato dessa mulher contando da primeira vez que fora espancada. Como todas nós, jamais passou pela cabeça dela que ela seria um dia violentada por um companheiro. Ela sempre ouviu a respeito, sempre leu e assistiu sobre isso, mas nunca isso seria concebível de acontecer em seu relato de vida. Mas aconteceu.

Era um final de semana qualquer. Uma noite como qualquer outra. Foram a um barzinho em uma cidade vizinha, ouvir uma boa música, beber algo, relaxar, se divertir. Ela foi ao banheiro e quando voltou, sem esperar aquele ... aquele ... juro que um dia ainda vou conseguir encontrar uma palavra para definir esse tipo de "coisa" ... começou a gritar e gesticular com ela sem que ela soubesse o que estava acontecendo. Instintivamente ela pediu que fossem embora dali. Ele, obviamente, aceitou, afinal ele sabia o que iria fazer. Entraram no carro e ele começou a dirigir de forma absolutamente histérica, o que já abalou por demais Marcela com o medo lhe dominando cada vez mais. E assim, aquela "coisa" continuou com acusações e gesticulações de que ela teria olhado pra alguém, que alguém teria olhado pra ela, sabe-se lá!. A verdade é que até hoje ela não sabe explicar os motivos disso. E o motivo disso é simples: não havia motivo nenhum a não ser a necessidade de ele ter um motivo. Ele começou a agredi-la, ali, dentro do carro, em movimento, na estrada, em alta velocidade.

Ele batia a cabeça dela no carro com violência. Puxava seus cabelos. Empurrava. A dor da violência sofrida, somando-se ao medo de um acidente de trânsito, a vergonha. Pensava em seus filhos e gritava o "por quê", o "por quê" daquilo.

Chegaram em casa e seu pesadelo ainda não havia terminado. Ela correu para um quarto dos fundos acreditando que aquilo cessaria; mas não havia acabado. Ele lhe rasgou todo o vestido, lhe jogava ao chão e lhe arrastava como se ela fosse um animal morto. Ela sufocava os gritos e lhe implorava baixinho e desesperada pedindo para que ele acabasse com aquilo. Os seus filhos! Ela não queria que eles ouvissem aquilo. Ela não conseguia acreditar e só pedia a Deus que seu filho não estivesse escutando aquela barbaridade.

Ela correu então para parte da frente da casa, enrolada em uma coberta, já com as roupas todas rasgadas. Ele continuou lhe arrastando pelo chão e ela se encostou na parede entre chutes e pontapés. Ele saiu por uns momentos de perto, e poucos segundos depois voltou e nos olhos daquele maldito estava a assinatura cruel da violência desmedida e despropositada. Ela realmente acreditou que ele lhe desferiria um golpe fatal. E em meio a menção de fazê-lo ele de repente parou. Ela já sem forças alguma sequer reagiu. Ele se afastou e alguns segundos depois percebendo que talvez aquilo tivesse finalmente chegado ao fim, ela se levantou devagar e dirigiu-se ao banheiro. Ele, andando de um lado ao outro.

Marcela tomou um banho e já não tentava mais entender o que havia acontecido. O dia já se preparava para amanhecer. E Ela, certamente, nunca mais seria a mesma. Nunca!

É uma imagem assustadora a que ela via nos olhos daquele homem. Não era algo que ela conseguisse reconhecer nem alguém que ela conhecesse. Ela não é capaz de nos dizer e nenhuma mulher  que passa por isso o é.

Passado aquilo ele lhe implorava perdão com docilidade dizendo que não sabia o que havia acontecido, que tinha sido dominado por uma coisa ruim. Que não era ele, que ele não se lembrava de nada e lhe pedia para contar o que ele havia feito. Ele se mostrava indignado consigo mesmo. Dizia que a amava e lhe fez a promessa esperada de todos: isso nunca mais vai acontecer. Mas, aconteceu. Sempre acontece.

A grande mulher guerreira se transformou naquela madrugada. Perdeu suas forças e deixou-se abater por um sentido que a destruiria aos poucos. Acima de qualquer outro: a vergonha. Que cala, silencia e corrói as mulheres vitimas de violência. Hoje, após ler a longa história de Marcela eu finalmente consigo entender o que sentem essas mulheres que talvez, nunca realmente conseguiram dizer a palavra tão simples que a destrói tão profundamente: a vergonha. Muito mais do que qualquer outra coisa: amor, tristeza, dor, rancor, ódio, aversão ... nesses casos, o que realmente silencia essas mulheres é, sem dúvidas a vergonha.

Eles se culpam por terem apanhado. Por se deixarem ter apanhado. Elas são dominadas por uma vergonha tão infinita que lhe impede de compartilhar esse acontecimento com outras pessoas que talvez pudessem lhe dar forças e lhe compreender. Mas a verdade que a vergonha não só as impede como as fragilizam. Ninguém irá ficar do lado delas. Elas irão escutar aqueles tipos anúncios: "eu te avisei" "estava na cara" "esse cara nunca prestou" "esse cara nunca me enganou" ou o pior: "você deve ter dado motivos, ninguém faz isso do nada". Essa é a sepultura dessas mulheres. Porque ninguém consegue acreditar que essas "coisas" fazem sim isso por absolutamente nada. Aliás, mesmo que tivessem qualquer tipo de motivo nada justificaria essa atitude.

Elas, então, preferem não correr risco de serem, ainda mais humilhadas.

Marcela não se despiu apenas da roupa que estava toda rasgada. Se despiu, também, da venda que lhe cegava e de qualquer tipo de amor que sentia por aquele homem. Por uma semana se manteve calada, sem conseguir dizer qualquer coisa a respeito, estava congelada dentro de si mesma. Não queria olhar para as pessoas porque sentia que todos estavam vendo em seus olhos o que havia acontecido. Nunca soube se filho ouviu alguma coisa e jamais teve coragem de perguntar e diz que prefere, realmente, não saber.



Ele mostrou toda sua violência contra ela própria e passou a desferir pequenas ameaças veladas. De uma sutileza tão audaz e inteligente que nem combinava com aquele cerébro tão restrito.  Ela, havia sentido a força de sua violência e temia por seus filhos (nunca disse ao certo quantos filhos tinha, ou melhor, tem em seu relato) e buscava uma forma de conseguir com que ele fosse embora sem que isso lhe causasse um novo acesso de fúria. Ela realmente tinha medo dele agora. E o seu medo crescia quando pensava em seus filhos. Ele era capaz de qualquer coisa, agora ela sabia. Ela tinha medo até mesmo que ele fosse embora e com raiva voltasse no meio de uma noite, invadisse sua casa e fizesse algo contra seus filhos. Essas "coisas", esses homens malditos sabem realmente como amedontrar uma mãe.

O tempo foi passando.

Marcela sabe que antes de conseguir se livrar dessa "coisa" ela apanhou ainda outras duas vezes, mas curiosamente não consegue se lembrar da segunda vez. Só sabe que foi pelo mesmo motivo: sem motivo nenhum e que foi tudo dentro de sua própria casa. E que felizmente, dessa vez, seus filhos não estavam. Mais a terceira vez ... e a última ... essa ela se lembra.

** essa história será continuada e outra postagem, por favor aguarde! **

Das Rosas que Ana não Gahou

DAS ROSAS QUE ANA NÃO GANHOU


Tantas vidas e tantas histórias ... a serem contadas ... e por quê não recontadas? Porque só ler e escrever sobre grandes histórias quando na verdade somos essência de pequenas histórias cotidianas ... essência ... uma fragância única para cada um ... fragância de vida, se sentido, de sentir ...

Às vezes um conselho dado ou calado ... um suspiro profundo no mais fundo do olhar ... uma lágrima perdida sem sequer ser sentida ... um encontro desencotrado ... um "deixa pra lá" ... um "mais tarde" ou amanhã que se torna hoje ... um mosquito que pertuba ou um choro de criança que se perde ... um pneu furado ou uma "barca furada" ... um risada idiota ... uma piscada ... algo completamente cotidiano, rotineiro e passageiro ... mas que conta um conto ... pode aumentar um ponto e somar-se há tantas outras histórias ....

e assim do meu, do seu e do nosso cotidiano vou recontando histórias, reiventando fins e começos e apenas revivendo a vida ... como o pequeno jardim de Ana, que na verdade se resumia a duas roseiras que se inciou por inciativa de sua amiga Daniela que transformou com uma idéia simplória de um desabafo passageiro de amigas em um momento revolucionário e que Ana pode-se se sentir capaz de suprir pequenos desejos ... Hã? Eu vou contar ....



Ana não era bonita nem feia. Tinha uma vida comum, com amigos comuns. Mas ela tinha um lado do romântico, embora soubesse que não tinha lá muita sorte nessas coisas de relacionamentos. Um dia, conversava com sua amiga Daniela que lhe contou ter recebido Flores naquela manhã de um paquerinha destes que a gente não sabe quer se relacionar ou não, mas o cara é simpático e até que bonitinho e vamos vendo no que via dar. As duas riam e se divertiam porque seja lá qual a intenção ser cortejada é sempre muito bom. Ana, então soltou o seu desabafo longe de ser triste ou nostálgico, apenas uma gota de orvalho de seu intimo "poxa vida": "Aí eu nunca ganho flores viu, eu queria ganhar rosas!". No mesmo embalo da conversa descontraída sua amiga lhe respondeu: "Planta uma roseira, quando nascerem as rosas põe no vaso." E assim se colocaram a rir e já outro assunto surgiu ficando aquele já em um passado muito muito distante.

Naquele momento foi passado, mas, passado alguns dias Ana se lembrou da conversa olhando para um pequeno espaço de terra que tinha em seu quintal enquanto estendia roupas apressada para o trabalho.

No seu horário de almoço resolveu passar pela floricultura, comprar duas mudas de rosas que nem imaginava como se plantasse e sequer sabia a cor que aquelas mudas, se brotassem poderiam nascer e foi-se pra casa. Deixou-as em um canto, almoçou e voltou para o trabalho.

No cair da tarde, já de volta pra casa, já desacelerada do dia a dia foi recolher suas roupas quando se lembrou das roseiras. Fez um buraco de qualquer jeito no pequeno pedaço de terra, lá enfiando as mudas de roseira, uma ao lado da outra, cobriu com a terra, jogou um pouco de água e pronto, havia plantado suas rosas.

Suas rosas!

Naquele momento o querer ganhar rosas que nunca ganhavam, o comprar mudas de roseiras e o plantar sua própria roseira havia ficado no passado. Até que ela percebeu em uma daquelas manhãs em que varria apressadamente o quintal antes de sair para o trabalho o surgimento dos primeiros botões de rosas de sua roseira. Sorriu. Foi um sorriso gostoso. Confortante. Ela se sentiu bem e certamente trabalhou alegre aquele dia sem nem mesmo saber o porque.

Mas no dia seguinte, ou melhor, na manhã seguinte seus olhos brilharam como estrelas intocáveis quando viu o esplendor perfeito e indescritível daquela Rosa Vermelha. Enorme, brilhante, linda. Era a senhora de si mesma, não tinha dúvidas. E aquela rosa? Era sua. Sua Rosa.

E da soma de pequenos momentos sem importância nenhuma Ela então postou em sua página pessoal a foto de sua e sua primeira esplendorosa Rosa com os seguintes dizeres: "Minha primeira Rosa ... Rosa do meu jardim ... e assim como eu, se você não ganha rosas não se entristeça, plante-as você mesma ... nenhuma outra será igual ... nenhuma outra terá beleza maior".

Ela poderia ser frustrada por não ganhar flores. Mas ela resolveu resolver-se. E agora nenhum outro buquê de rosas será mais bonitos do que suas próprias rosas ...

E das Rosas que Ana não ganhou ... um momento cotidiano ela nos contou ... e uma lição de vida ela nos ensinou ...

Hoje eu sou e estou Emmanuella FÊnix


Gostaria de me apresentar. Hoje sou Emmanuella Fênix, mas nem sempre fui essa. Meu nome era outro, minha vida era outra e certamente tudo o que eu sonhava e esperava da vida era de outra forma. Mas aí ... coisas aconteceram em minha vida já parecia não mais me pertencer porque apesar de sermos responsáveis pelas consequências de nossos atos, nos nunca esperamos que vamos chegar ao ponto de nos perder tão profundamente a ponto de termos que nos recriar e nos reinventar se quisermos continuarmos vivos. E foi assim que renasci, como Emmanuella Fênix. Confesso que não sei o que esperar dela e o que ela irá esperar da vida, mas certamente hoje Eu como Ela estou mais forte porque o Eu como estava não estava mais dando conta dos recados da vida.

Assim após 7 meses de um sofrimento muito muito intenso, criado e gerado por mim resolvi enterrá-lo juntamente com muitas outras coisas de minha vida. Portanto quero deixar uma coisa bem clara: Eu como Emmanuella Fênix não sou "feic", como se diz por aí, nem nunca serei. Nascemos juntas de uma condição absolutamente adiversa, dessas que acontecem na vida. Fomos geradas de muita dor, decepção, medos e angustias. Vivemos por meses reclusas duvidando até mesmo do amanhecer. Mas a morte não é uma opção de nos, pobres mortais então, já que precisei matar muito do que havia em mim ... muitos sonhos, muitos desejos, muitas crenças, muitos sentimentos ... e optei por me recriar e e me reinventar pra lutar por aqueles que certamente precisam, ainda, de mim: meus filhos! ... como Fênis renasci Emmanuella!
Quem é Emmanuella Fênix? Uma mulher ... sozinha ... mãe ... com 3 filhos ... que tomou apenas uma primeira decisão ao amanhecer do recomeçar: Eu perdi muito, mas isso não será mais importante do que eu ganhei.

Muito prazer.

Divórcio de Si mesma

DIVÓRCIO


Há algum tempo Maria percebia que a vida insistia em lhe dar sinais de que as coisas tinham chegado no seu limite. Não eram apenas pequenas coisas que incomodavam. Eram muitas pequenas coisas que se somavam e pesavam demais em seu travesseiro.
E assim é. pobres travesseiros que sofrem os lamentares de um dia inteiro!
Poder ver com tamanha lucidez em meio a uma turbulência que lhe parecia um pesadelo inacordável lhe custou muito mais do que lágrimas, queda de cabelos ou o surgimento de algumas rugas. Lhe roubou o brilho nos olhos; a certeza do olhar; a falta de vida no viver diário.

Vida. Sua vida. Onde andava sua vida, Maria? Por onde Tú andavas enquanto Sua Vida andava?

Era chegada a hora da separação.Inevitável..

Maria se culpava por demais. pensava demais. Sentia demais. Tudo demasiadamente torto. O que Ela era afinal? Quem Ela tinha sido esses anos todos? Como fugir à comodidade de tudo o que já estava como estava a tanto tempo. Que já era o que era e pronto.Como fugir do pouco que colecionamos em nossas vidas de previsível e, portanto, confortável. Essa separação tornaria tudo imprevisível. Ela suportaria esse recomeço? Tantos anos já haviam se passado. Tanto tempo.

Tempo.

Foi nesse momento que Maria  pareceu receber a dose de coragem necessária, que sempre vem sabe-se de onde e muda toda nossa vida. E escutou-se:

"Maria, Maria, Maria,
Você foi você. Simplesmente você. E você sempre será você. Simplesmente você. Apenas aceite o Tempo. O Tempo que tudo transforma, também transforma os humanos. E assim, você foi transformada e jamais há de se dizer que deixou de ser você, apenas, transformada. Aposente os sapatos apertados e desfaça-se das roupas que lhe pesam. Apenas aceite que muitas coisas de sua vida já não lhe cabem mais nesse Tempo e que perderam o sentido de ser em algum Tempo que já passou. Despeça-se e apenas, siga."

E foi assim que Maria divorciou-se. Divorciou-se de si mesma. De si mesa em Tempo passado,para recomeçar. Recomeçar consigo mesma em Tempo Agora.

E assim somos todos nós. Todos um pouco Marias fugindo da realidade mesmo quando ela nos bate na face e nos grita para sermos nós em cada Tempo. Quanto tempo perdemos nos negando apenas por não aceitar as transformações do próprio Tempo que a todo momento vivenciamos e transformamos.

Sapatos altos demais que insistimos e usar quando nosso andar já não mais os quer. O medo de buscar novos horizontes profissionais quando já não somos mais felizes no que fazemos. A relutância absurda e egoísta em aceitar a convivência com novas tribos de amigos ou a exibição de um novo estilo de roupas. O adiamento da ruptura de uma relação que nos oprime nos deixa infelizes. A rejeição de sentimentos. O considerar mais importante o olhar alheio do um nosso olhar contente ...

Tanta falta de divórcio! tanto falta de divórcio com o que realmente devíamos romper. tantos pequenos grandes momentos de vida desperdiçados ao longo do Tempo ... quantos "eus" verdadeiros deixados de serem vividos a seus mais que perfeitos tempos.