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domingo, 13 de outubro de 2013

Das Rosas que Ana não Gahou

DAS ROSAS QUE ANA NÃO GANHOU


Tantas vidas e tantas histórias ... a serem contadas ... e por quê não recontadas? Porque só ler e escrever sobre grandes histórias quando na verdade somos essência de pequenas histórias cotidianas ... essência ... uma fragância única para cada um ... fragância de vida, se sentido, de sentir ...

Às vezes um conselho dado ou calado ... um suspiro profundo no mais fundo do olhar ... uma lágrima perdida sem sequer ser sentida ... um encontro desencotrado ... um "deixa pra lá" ... um "mais tarde" ou amanhã que se torna hoje ... um mosquito que pertuba ou um choro de criança que se perde ... um pneu furado ou uma "barca furada" ... um risada idiota ... uma piscada ... algo completamente cotidiano, rotineiro e passageiro ... mas que conta um conto ... pode aumentar um ponto e somar-se há tantas outras histórias ....

e assim do meu, do seu e do nosso cotidiano vou recontando histórias, reiventando fins e começos e apenas revivendo a vida ... como o pequeno jardim de Ana, que na verdade se resumia a duas roseiras que se inciou por inciativa de sua amiga Daniela que transformou com uma idéia simplória de um desabafo passageiro de amigas em um momento revolucionário e que Ana pode-se se sentir capaz de suprir pequenos desejos ... Hã? Eu vou contar ....



Ana não era bonita nem feia. Tinha uma vida comum, com amigos comuns. Mas ela tinha um lado do romântico, embora soubesse que não tinha lá muita sorte nessas coisas de relacionamentos. Um dia, conversava com sua amiga Daniela que lhe contou ter recebido Flores naquela manhã de um paquerinha destes que a gente não sabe quer se relacionar ou não, mas o cara é simpático e até que bonitinho e vamos vendo no que via dar. As duas riam e se divertiam porque seja lá qual a intenção ser cortejada é sempre muito bom. Ana, então soltou o seu desabafo longe de ser triste ou nostálgico, apenas uma gota de orvalho de seu intimo "poxa vida": "Aí eu nunca ganho flores viu, eu queria ganhar rosas!". No mesmo embalo da conversa descontraída sua amiga lhe respondeu: "Planta uma roseira, quando nascerem as rosas põe no vaso." E assim se colocaram a rir e já outro assunto surgiu ficando aquele já em um passado muito muito distante.

Naquele momento foi passado, mas, passado alguns dias Ana se lembrou da conversa olhando para um pequeno espaço de terra que tinha em seu quintal enquanto estendia roupas apressada para o trabalho.

No seu horário de almoço resolveu passar pela floricultura, comprar duas mudas de rosas que nem imaginava como se plantasse e sequer sabia a cor que aquelas mudas, se brotassem poderiam nascer e foi-se pra casa. Deixou-as em um canto, almoçou e voltou para o trabalho.

No cair da tarde, já de volta pra casa, já desacelerada do dia a dia foi recolher suas roupas quando se lembrou das roseiras. Fez um buraco de qualquer jeito no pequeno pedaço de terra, lá enfiando as mudas de roseira, uma ao lado da outra, cobriu com a terra, jogou um pouco de água e pronto, havia plantado suas rosas.

Suas rosas!

Naquele momento o querer ganhar rosas que nunca ganhavam, o comprar mudas de roseiras e o plantar sua própria roseira havia ficado no passado. Até que ela percebeu em uma daquelas manhãs em que varria apressadamente o quintal antes de sair para o trabalho o surgimento dos primeiros botões de rosas de sua roseira. Sorriu. Foi um sorriso gostoso. Confortante. Ela se sentiu bem e certamente trabalhou alegre aquele dia sem nem mesmo saber o porque.

Mas no dia seguinte, ou melhor, na manhã seguinte seus olhos brilharam como estrelas intocáveis quando viu o esplendor perfeito e indescritível daquela Rosa Vermelha. Enorme, brilhante, linda. Era a senhora de si mesma, não tinha dúvidas. E aquela rosa? Era sua. Sua Rosa.

E da soma de pequenos momentos sem importância nenhuma Ela então postou em sua página pessoal a foto de sua e sua primeira esplendorosa Rosa com os seguintes dizeres: "Minha primeira Rosa ... Rosa do meu jardim ... e assim como eu, se você não ganha rosas não se entristeça, plante-as você mesma ... nenhuma outra será igual ... nenhuma outra terá beleza maior".

Ela poderia ser frustrada por não ganhar flores. Mas ela resolveu resolver-se. E agora nenhum outro buquê de rosas será mais bonitos do que suas próprias rosas ...

E das Rosas que Ana não ganhou ... um momento cotidiano ela nos contou ... e uma lição de vida ela nos ensinou ...

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